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A Arte e os Críticos

 

Num Blog amigo - A Esfera dos Intocáveis - através de posts tocamos num assunto que muitas vezes me faz pensar: a crítica à criação artística.

Críticos de arte existem aos montes há muito tempo, opinião pública também. Muitos artistas vieram a conhecer a fama muito depois de sua morte: Vivaldi tornou-se famoso cem anos após sua morte e Ieronimous Bosh alguns séculos depois... É que a criação destes e de tantos outros não estavam em conformidade com a cultura da época, vindo a se adequar em outro contexto temporal e então serem “descobertos”. A maioria dos gênios das artes morreram pobres e desconhecidos por sua arte não ser aceita em seu tempo. Van Gogh é um exemplo absurdo: passou a vida sendo sustentado por Theo, seu irmão, e sua obra sendo rechaçada covardemente pela França. Há alguns anos, uma obra sua - O Retrato de Dr Gauchet - foi vendida por 43 milhões de dólares. Não é irônico e cruel?

Louis Vauxcelles, um crítico de arte francês do século XIX, fez uma crítica pesada aos artistas da mostra do Salon des Indépendants chamando-os de fauves – feras em francês. Resultado: o grupo dos independentes gostou do nome, intitulando o movimento de Fovista. O líder do grupo – Matisse – conheceu a fama e a riqueza em vida.

Estas coisas não acontecem só nas artes plásticas: Nicolai Rubinstein, professor de Tchaikóvsky e um dos maiores músicos da época, criticou duramente a apresentação ao público do Concerto nº 1 dele; tornou-se um sucesso estrondoso pela Europa inteira. Rubinstein ficou tão sem graça que, quando se tornou responsável pela parte musical da Exposição de Artes e Indústria de Moscou ,solicitou a Tchaikósky a música de abertura das solenidades em comemoração à derrota de Napoleão em solo russo. Foi então que ele compôs a maravilhosa peça 1812 (definitivamente canhões disparando como percussão foi demais!!!).

Não vou me ater a dar uma definição do que é uma “boa arte”; acho isto impossível devido a ser sabedor de que o tempo passa. O grande artista de hoje é um desconhecido amanhã e o esfomeado de hoje é uma celebridade séculos depois. Só para ilustrar, a mãe de Schopenhauer era uma escritora famosa em sua época; como ela e o filho eram publicamente brigados, certa vez ela disse que só ele lia as suas obras (o que não estava muito longe da verdade, visto que a filosofia se Schopenhauer não encontrou muito eco em seu tempo). O filho, irado, retrucou dizendo que no futuro ela apenas seria conhecida como mãe dele – errou, porque nem como mãe ela passou para a história (como é mesmo o nome dela?).

Agora, uma coisa é real: a busca pessoal de aprimoramento pelo autor – a elaboração de seu estilo. Vou dar um exemplo: quando se lê As Ondas, de Virgínia Wolf e depois lê Orlando - também dela – percebe-se que ela elaborou, gradativamente, uma forma de expressão, um estilo; que estava impreciso no primeiro. A verdade que ela queria expressar vem, então, à tona, de forma cristalina. Isto sim existe: o aprimoramento de um estilo para permitir que seus conteúdos se tornem mais claros e precisos.

Por isto prefiro - quando escrevo um post - me ater aos conteúdos dos textos, estimulando a discussão das idéias. Acredito que se deva discutir o estilo apenas como auxílio ao amigo no encontro da forma mais sincera da expressão do seu pensamento. 



 Escrito por Nosferatu às 12h00 [] [envie esta mensagem]