Outubro – um dia qualquer no recreio os três amigos conversam:
- Aê...A gente podia passar o verão em Trindade...
- Onde é isso? Perguntou Hugo.
- Depois de Angra dos Reis, quase na divisa com São Paulo. É doido o lugar!
- Dá pra ser...Falou Miguel.
- Eu vou ter que pedir a meus pais...Eu nunca viajei sem eles...
- E aí?
- Não sei...
- Pede de presente de Natal...
- Se for para pedir assim, eu vou pedir de aniversário – é no mês que vem...
- A gente te ajuda. Você pede pra sua mãe - que é mais fácil – e a gente explica como é que é...Eu já fui lá umas quatro vezes; você vai se amarrar! Diz Luis Henrique.
- Então, a gente espera o mês que vem...
Novembro:
Chegam os dois na casa de Hugo. Vão conversar com a mãe dele.
- Oi tia!
- Mãe, a gente ‘tava querendo conversar com a senhora...
- O que é? Perguntou apreensiva.
- É que eles me chamaram para passar o final de ano e o mês de janeiro em Trindade.
- Onde é isso?
Explicam. Franziu a testa.
- Como vocês vão?
- O Henrique tem carro...A gente vai no carro dele. Foi ele que deu a idéia...Já foi lá uma pá de vezes...
- E você sabe dirigir direito?
- Tia, Eu já fui duas vezes sozinho para o Rio; vou pro colégio todos os dias de carro. Nunca bati!
Mentiu nessa hora: Já deu perda total no carro da mãe.
- Onde vocês vão ficar?
- Acampado.
- Acampado?
- É...Lá tem uns campings tranqüilos...
- E comida?
- P. F. tia!
- Olha tia, eu já viajei antes e nunca tive problema. Sou bastante responsável quando estou fora de casa. Falou Luis Henrique, com a voz empostada de quem quer passar respeito.
- Vou falar com seu pai
- Dá uma força pra gente ir! Ah tia...Falou Miguel.
Silvana ri; simpatizou com a situação. A presença dos amigos intimidou algumas tentativas de proibições.
O pai chegaria em algumas horas. Apreensão.