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Ensaio nº 9 Parte 21
Hugo ouvia aquelas histórias com muita excitação: aquela vida solta, desregrada, ao sabor dos acontecimentos era algo que almejava há tempos. Não tinha ido parar no Thomas Morus por gozo excêntrico da vida, mas, por não suportar o jugo de seus colegas – era diferente...
A verdade é que, na juventude, a ânsia da vida por si mesma pode alçar o homem às alturas dos acontecimentos, retornando suas experiências a mais pura fruição da vida como arte. Senhores de seus próprios destinos realizam revoluções em seu pequeno mundo ambicionando ampliar as conquistas até ao topo, tentando refazer as estruturas - muitas vezes carcomidas - de uma sociedade ociosa de pensamento criativo.
Não são mais simplesmente as pessoas que envelhecem, mas a própria sociedade é que dá sinais de uma senectude marcada pela desesperança e pela mesmice.
A civilização, muitas vezes, aparenta um solene caminhar para o sepulcro da história; para se juntar aos Assírios, Egípcios, Romanos; a todas aquelas civilizações que almejaram tanto a eternidade e que hoje jazem nos compêndios de um ilustrado Chatelet ou mesmo dos prosaicos Armandos de Souto Maior da vida.
Com o crescimento, os humanos tendem a se adequar à rotina que a produção deles espera e, sem o saber, passam a levar uma vida morta; apenas acordada diante de um final de semana de alpinismo radical – a adrenalina necessária para tirar um paciente da parada cardiorespiratória.
O radicalismo do esporte, ritualístico e adequado aos horários de rotina, às vezes, parecem servir apenas para lembrar aos humanos, que ainda há vida dentro deles.
Morre-se muito cedo hoje em dia...
Escrito por Nosferatu às 00h23
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Ensaio nº 9 Parte 20
Quatro horas de viagem; depois de Campos, a estrada fica monótona: muitas curvas numa região desolada. Estrada vazia, apenas alguns caminhões. Luiz Henrique e Miguel vão à frente; Luiz Henrique pilota.
- Cara, vê se não paga mico lá não, ein?
- Que mico? Perguntou Miguel.
- Ah ‘ta! E lá em Morro de São Paulo? Você esqueceu?
- Qual foi? Perguntou Hugo.
- O cara ficou doidaço de ácido, fomos para uma festa rave na praia...A festa era dentro de uma cabana de madeira altaça!...Tinha um monte de tubo fluorescente no teto parecendo uma teia de aranha. O cara viajou que a aranha ia aparecer e começou a gritar para alguém segurar a aranha...Caiu no chão; pediu para ligarem para casa dele...
- Ah, ‘tá...Você nunca deu vexame não...E quando você chegou em casa seis horas da manhã e foi pra bicicleta ergométrica do seu pai? Sua mãe ligou lá para casa para saber que o filhinho dela tinha feito...
- Ah...Mas foi dentro de casa...Mico dentro de casa ‘tá limpo...
- Dançar com seu pai sobrou para todo mundo...
Ficou em silêncio.
- Que houve?
- Hugo, o cara comprou dois quilos de fumo e deixou dentro do porta-malas. No outro dia o pai abriu e encontrou o saco lá.
- Dois quilos?
- É...Eu ia fazer um adianto pros amigos...
- O pai do cara pegou o telefone e ligou para todo mundo...Foi foda!
Escrito por Nosferatu às 22h50
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Poderia pedir um tempo da minha história para postar um aniversário do dono de um blog amigo, o Zé Povinho , que se encontra no início da minha lista de links, mas não é tão simples assim: Bruno perdeu o pai muito cedo e, como padrinho dele, à partir de um determinado momento de minha vida, adotei-o como a um filho; e assim ele passou a participar de minha vida e eu da dele.
Não é um ano comum para ele: formou-se em jornalismo há um mês e já possui, junto com um sócio, seu estúdio de fotografia. Hoje ele se coloca como um dos jovens profissionais mais promissores de nossa cidade; e querem saber de uma coisa: tenho um puta orgulho disso; de ter participado, dia após dia, de seu crescimento como ser humano, como profissional e como amigo também – que hoje até dá uns toques para este adulto que vai envelhecendo.
É com uma satisfação imensa que eu falo de seu aniversário hoje.
Acima há uma foto que a criança tirou dele próprio em alguma viagem que já fez.
Perdoem por esta interrupção no meu trabalho aqui no blog, mas eu lambo meus filhotes.
Um abração a todos.
Escrito por Nosferatu às 23h11
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Ensaio nº 09 Parte 19
O grande dia tinha chegado. À noite todos se encontram na casa de Hugo para arrumar a bagagem.
- Coloca a bagagem aqui...As cervejas ali...Essas aqui podem ir no banco de trás!
Luiz Henrique, quando se tratava de atividades práticas era quase perfeito: era muito conhecido no colégio por ser um jogador de basquete bastante sagaz. Era bom líder em campo; dirigia-se à cesta com a mesma determinação que chegava numa garota. Parecia saber o que queria. O que matava era seu gênio tempestuoso, que aflorava quando se sentia frustrado – brigava muito...Sempre atraía as atenções numa roda de amigos com histórias; cenas...Era um performático num estilo esportivo e viril, mas reconhecia a importância da amizade e do companheirismo.
- E o fumo?
- Botei dentro de uma garrafa de café...Entre o vidro e o plástico...
- Isso vai dar galho...Garrafa de café?
- Miguel...Você sempre amarelando...
- Qualé Henrique...Alguém vai cair nessa?
- Eu já te botei em alguma roubada? Sou eu véi...
- Cara...Vocês brigam demais – disse Hugo - é só agitação da viagem!
Saem no outro dia bem cedo.
- Hugo, meu filho! Cuide-se bem!
- Pode deixar mãe! Eu te ligo quando chegar.
- Faz isso, meu filho...A gente vai ficar preocupado...
- ‘Ta, mãe...Mas não exagera...Eu seguro minhas ondas...
Escrito por Nosferatu às 23h42
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Ensaio nº 09 Parte 18
Muita coisa para fazer até a viagem: passar de ano, arrumar barraca, comprar comida, arrumar o carro...Hugo esperava muito por esse dia: sua primeira viagem sem a família...Nem por si poderia falar das razões de tanta expectativa, mas era o que mais importava na vida.
- Como a gente vai fazer?
- São umas dez horas de viagem até lá... É só a gente sair cedo que antes de anoitecer a gente ‘tá chegando. Vai dar até pra sair à noite.
- Tem um monte de coisas para fazer: arrumar barraca, as mochilas...
- Qualé Miguel! Com aquele monte de gata lá eu vou ficar no camping?
- Tem muita garota lá?
- Só gata! Tudo maluca...À noite rola umas festas na Praia dos Ranchos...Eles colocam umas tochas na praia...Legalize...
- Sério?
- ‘To te falando...O sol nascendo ali é doido!
- Agora...Pra sair daqui, o melhor é a gente dormir na mesma casa pra ganhar tempo...
- Pode dormir lá em casa. Disse Hugo.
- ‘Tá limpo!
Escrito por Nosferatu às 22h53
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Ensaio nº 9 Parte 18 - A 1ª parte deste post está embaixo
Será que já não expulsou não? Chega à noite, se tranca no escritório, vai pescar no final de semana...Some! Quando foi que você saiu comigo ou com o Igor? Eu nem te conheço, pai! A gente é igual menor abandonado; só que tem casa, comida...
O pai se espantou com a ousadia.
- Eu vou e foda-se! Azar o que vier depois. Além do mais tudo que você tem pra dar mesmo é dinheiro! Que mais você tem pra dar? Se não der eu me viro!
Saiu do escritório batendo a porta.
No outro dia, pela manhã...
- Hugo!
- Fala, mãe...
- Seu pai e eu conversamos...
Silêncio.
- Nós decidimos que, se você passar de ano, nós te deixamos ir...
- Mãe, você vai deixar o Hugo viajar?
- Cala a boca! Você já torrou o saco demais...
- E o dinheiro? Arrisca ele.
- Ele pediu para você conversar com ele depois sobre isso. Ele está muito chateado com você...
- Porquê?
- Você não devia ter dito o que disse...
- Eu falei alguma mentira?
- Meu filho...
- Ele não tem tempo para a gente, mãe...
Silvana baixou os olhos. Sabia que era verdade...
Recreio:
- Cara, consegui!
- Massa! Agora a gente tem que arrumar a barraca!
- Isso é tranqüilo...
Naquele final de semana a família saiu para almoçar. Foram ao cinema.
Prometeram ao Hugo o suficiente para a viagem.
Escrito por Nosferatu às 00h28
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Mais à noite...
- Pai, eu quero conversar com o senhor.
- Sim, o que é?
- Estou querendo viajar com o Miguel e o Luis Henrique para Trindade.
- Como assim?
Explicou mais uma vez.
- Conversa com a sua mãe.
- Eu já conversei...
Silêncio.
- O que ela disse?
- Falou para conversar com o senhor.
- Estou achando tudo isso muito esquisito; não vou deixar não...
- Eu estou pedindo de presente de aniversário; você esqueceu que hoje é meu aniversário?
Ficou sem graça.
- Você está muito novo!
- Eu vou de qualquer jeito!
- Como?!
- Vou vender a Pinarello! (Bicicleta italiana avaliada em US$ 3.000,00).
- Não vai não! Eu dou umas voltas nela. De vez em quando!
- Ela é minha! O senhor me deu de Natal!
- Vou tirar a bicicleta de casa amanhã.
- Isso é covardia!
- Olha como fala comigo, moleque!
- Vou usar a poupança!
- Não ouse fazer isso! (Herança do avô – R$ 40.000,00).
- Faço! E se não puder vou sem dinheiro! Lá eu trabalho de garçom...Qualquer coisa! Henrique falou que tem muita gente que faz isso.
- Expulso você de casa!
Escrito por Nosferatu às 00h27
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