Crítica de Cinema - Alien vs. Predador
Tentei fazer o possível, mas ficar sem o que fazer nesse feriado me aguçou a vontade de assistir o mais novo subproduto da cultura de massas de Hollywood; um autêntico lixo cultural agora em embalagem de luxo: fotografia impecável, argumento que inclui civilizações antigas mais toda a tecnologia de roteiro, cenografia e efeitos especiais que a capital do cinema mundial acumulou nesses últimos anos. A princípio quis assistir para rir um pouco do lixo produzido; achava que ia encontrar um filme sem conteúdo, mas me surpreendí: é um filme para lá de machista – com todas as letras maiúsculas.
Começa a narrativa os cientistas descobrindo uma pirâmide (claro: para dar aquele ar de mistério que tanto sucesso garantiu para a série Indiana Jones) na Antártida (não tem mais onde fazer filme com terras desconhecidas – tem que ser lá mesmo!). Um mega-empresário se interessa e reúne a fina flor da pesquisa de risco do mundo, entre elas uma alpinista radical (meu Deus!: até quando vou ver essa cena alpinista-sem-cordas-em-risco-atendendo-telefone-celular-há-milhares-de-metros-acima-do-solo? – me poupe...). Nossa heroína é inflexível e tenaz: só faz o que as regras sugerem - impreterivelmente. Até aí tudo bem, mas o povo descobre que a pirâmide é um campo de treino e diversão dos predadores: eles foram atraídos para lá para servirem de incubadoras para filhotes de aliens que nascem para serem caçados e exterminados por aqueles.
Aí começa uma situação que poucos hão de perceber porque estão condicionados a verem os aliens como monstros-desalmados-que-merecem-morrer: uma alien-mãe é mantida acorrentada dentro da pirâmide (qualquer alusão a Prometeu acorrentado é mera coincidência...); sua função: colocar ovos para a brincadeira dos predadores – e ela está nessa situação há mais de 5.000 anos!!! Não é para ter pena, não?
Virou e mexeu e sai tudo errado: os homens da expedição morrem todos, os predadores não conseguem ter acesso às armas que destruiriam os aliens; morrem alguns deles. A situação de tensão máxima surge quando permanece vivos dentro da pirâmide um predador, a alpinista e a alien-mãe que não pára de colocar ovos (ué?, não foi para isto que ela foi acorrentada?; porque reclamar?). Quando os filhotes nascem, sem o controle dos predadores o que eles vão fazer? Lógico e óbvio: libertar a mãe do cativeiro! (quem não faria no lugar dos oprimidos aliens?). Só que o cativeiro desta fêmea é tido como natural – ninguém é levado a questionar isso - e a libertação dela é vista como uma situação de terror: ela vem de bicho para cima dos dois!
Já do lado da alpinista-seguidora-das-regras, ela faz um monte de ações corajosas, o predador assiste tudo e – na linguagem adolescente: paga pau para ela.
Fica então configurado que existem mulheres nascidas para o cativeiro que ficam à mercê dos interesses masculinos-despóticos e as mulheres que seguem as regras dos homens e, por isso, podem até despertar a admiração destes e ter uma vida melhor e digna.
Eu confesso que fiquei com pena dos aliens: retirados de seu habitat para carnificinas anti-ecológicas com requintes machistas de crueldade...É demais!
Termina o filme como um Godzilla deplorável: morre a pobre fêmea escravizada (por ousar se rebelar) junto com toda sua prole (de filhos fieis e amorosos). E a alpinista machista posando de gostosa...Porque eu continuo me torturando assistindo essas coisas?
Escrito por Nosferatu às 22h45
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